Club de Formiga

Cronica: Uma forma diferente de entregar panetones

Postado em: 19 de Dezembro de 2025 por Rotary Club de Formiga

A campanha dos Panetones do Rotary: quando vender vira agradecer

Dizem os filósofos que o acaso não existe. Aristóteles já ensinava que “somos o que fazemos repetidamente”, e talvez por isso sair de casa para vender um simples panetone tenha se transformado em uma pequena aula sobre propósito, gratidão e… chocolate.

Saí para o Centro de Formiga com a expectativa modesta de encontrar um comprador para o panetone de Natal da campanha do Rotary. Nada de grandes discursos, pensei. Um panetone, um sorriso e, quem sabe, um “volto depois”. No trajeto, porém, a memória fez seu próprio roteiro e me levou ao Hospital dos Óculos, em frente à Loja 505 do Arlênio — velho conhecido dos artigos de pesca e, mais ainda, dos bons encontros.

Entrei apenas para dar um alô ao amigo. Daqueles alôs rápidos, que duram cinco minutos e viram meia hora. Conversa vai, conversa vem, lembramos de uma antiga ideia de marketing que sugeri tempos atrás. Ele aplicou, funcionou e, até hoje, rende agradecimentos — prova prática de que Confúcio tinha razão ao afirmar que “uma boa ideia, quando compartilhada, cresce”.

Na hora de sair, quase já na porta, lembrei do verdadeiro motivo da caminhada: a campanha dos panetones do Rotary. Bastou explicar o sentido da ação para que ele entendesse tudo. Sem muita cerimônia, encomendou uma caixa com 18 panetones. Ele e a esposa, em perfeito dueto — quase ensaiado — completaram: “Todos de chocolate”. Respondi, solene e bem-humorado: “Perfeitamente justo”.

Saí satisfeito. Liguei para Beatriz, coordenadora da campanha no Rotary Formiga, que anotou o pedido com aquela alegria silenciosa de quem sabe que o bem está funcionando. Dias depois, lá estavam eles: 18 panetones, todos de chocolate, aguardando a entrega.

Antes de entregar, resolvi apresentar o panetone como ele realmente é. Não apenas um produto, mas uma parceria do Rotary Club com a empresa Agilmax Alimentos Ltda., trazendo consigo o símbolo de uma rede mundial com mais de 1,4 milhão de associados. Uma rede que inclui Rotaract, Interact e Rotary Kids — adultos, jovens e crianças unidos pela mesma missão: servir.

Expliquei, sem pressa, que o Rotary atua por meio de suas Avenidas de Serviço: promoção da paz, prevenção e tratamento de doenças, água, saneamento e higiene, saúde materno-infantil, educação básica e alfabetização, meio ambiente e desenvolvimento econômico comunitário. Falei da gotinha — na boca ou injetável — que ajudou a combater a poliomielite no mundo. Falei da cadeira permanente do Rotary na ONU, privilégio raro, conquistado com trabalho, ética e credibilidade.

Quando terminei, percebi que aquele panetone de 400 gramas estava maior. Não em tamanho, mas em significado. Agradeci mentalmente ao agricultor que produziu os ingredientes, ao cacau, à farinha de trigo, às embalagens, ao transporte e a cada etapa invisível desse processo de servir. Um verdadeiro mutirão silencioso.

Entreguei os panetones com um sincero “Feliz Natal”, em nome de todos que serão beneficiados pelos recursos arrecadados. E lembrei-me de Paul Harris, fundador do Rotary, quando disse: “O Rotary não é para benefício dos rotarianos, mas para aqueles a quem servimos.”

No fim das contas, percebi que não vendi um panetone. Entreguei agradecimentos. E, convenhamos, poucos produtos no mercado conseguem fazer isso — ainda mais sendo de chocolate.

Autor: Zenaido Lima da Fonseca

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